Como fazer uma faxina - Vale a pena ler.
A experiência colombiana de combate à corrupção policial é um exemplo e tanto de que é possível reduzir essa praga, a maior chaga das forças da lei no Rio
por Caio Barretto Briso, de Bogotá | 19 de Outubro de 2011
Como
todas as políticas públicas bem executadas, a fórmula de nossos
vizinhos baseou-se em princípios muito simples. Diante do descalabro
total, com boa parte da instituição policial dando a impressão de que
estava na folha salarial do megatraficante Pablo Escobar, morto em 1993,
era preciso começar de novo. A primeira atitude foi a criação de um
órgão externo à corporação, com amplos poderes de fiscalização.
Semelhante ao Ministério Público e composta de jovens advogados, a
Fiscalía General de la Nación atua de forma implacável na perseguição
aos desvios cometidos pelas forças de segurança. Desde sua criação, em
1991, foram expulsos da Polícia Nacional nada menos que 20 000 homens,
mais de 20% do efetivo atual. Seu trabalho foi facilitado com a
aprovação de uma lei, no mesmo ano da morte de Escobar, que agilizou
sobremaneira os processos de ejeção dos criminosos. No Rio, um
procedimento como esse pode demorar até dois anos. Na Colômbia, apenas
alguns dias. Em paralelo, realizou-se uma reestruturação completa da
carreira. Logo na largada, os integrantes da tropa receberam um aumento
de 30%, acrescido de um plano de promoções por metas alcançadas e bônus
em caso de sucesso. A ideia era atrair perfis diferentes, incentivando
a entrada de mulheres (atualmente elas representam 8% do contingente) e
abrindo as portas para pessoas com diplomas em diversas
especialidades. Hoje, mais da metade dos policiais de Bogotá possui
nível superior. Há dezoito anos, o índice não passava de 10%. Aqui não
temos sequer essa estatística. "O objetivo é que em 2014 todos falem
inglês", conta o major Domingo Lopez, ele mesmo formado em agronomia e
gestão pública.
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