IBIRITÉ
Homem ameaçado de morte diz que trabalha e dorme em cadeia
Publicado no Super Notícia em 18/10/2011
FOTO: ANGELO PETTINATI - 29.7.2009
Presídio de Ibirité, administrado pela Seds, funciona no prédio da antiga cadeia
Em
vez de cuidar da segurança de quem está em um presídio, um agente
penitenciário, que se recusa a se corromper, está levando uma vida
semelhante à de um preso. Há três meses, ele fica 24 horas dentro do
presídio de Ibirité, na região metropolitana. Não sai nem mesmo para
dormir em casa. O motivo é um só: ameaças de morte e medo. A Secretaria
de Estado de Defesa Social vai apurar o caso.
O agente, de 50 anos, que pede para não ter o nome revelado, conta que há 20 anos atua no sistema prisional de Minas, e diz que nunca viveu situação parecida. "Resolvi dormir na unidade após o trabalho por medo de alguém me matar quando estivesse em casa ou voltando para a casa. É como se eu fosse o preso".
O agente diz que as ameaças começaram há mais ou menos seis meses. "Os presos queriam que eu fizesse alguns favores, garantisse privilégios em troca de dinheiro e eu me recusei a fazer isso", afirmou.
O agente não quis detalhar que tipo de favores os presos pedem. "Se eu falar, eles vão me identificar e me matar".
A situação retrata o cenário de insegurança vivido por agentes penitenciários em Minas, segundo o presidente da União Mineira dos Agentes Penitenciários Ronan Rodrigues da Silva. De acordo com ele, somente neste ano, 25 agentes registraram boletim de ocorrência após terem sido ameaçados de morte nas prisões. Desde 2003, segundo ele, 146 funcionários do sistema prisional foram assassinados. Só no último mês, foram três. "Queremos que o Estado garanta mais segurança nas unidades".
ApuraçãoA Secretaria de Estado de Defesa Social informou que disse que não recebeu denúncia sobre o agente que estaria dormindo no Presídio de Ibirité, mas que irá apurar a situação. Ainda conforme a secretaria , todos os agentes ameaçados recebem proteção policial ou são transferidos de unidade.
O agente, de 50 anos, que pede para não ter o nome revelado, conta que há 20 anos atua no sistema prisional de Minas, e diz que nunca viveu situação parecida. "Resolvi dormir na unidade após o trabalho por medo de alguém me matar quando estivesse em casa ou voltando para a casa. É como se eu fosse o preso".
O agente diz que as ameaças começaram há mais ou menos seis meses. "Os presos queriam que eu fizesse alguns favores, garantisse privilégios em troca de dinheiro e eu me recusei a fazer isso", afirmou.
O agente não quis detalhar que tipo de favores os presos pedem. "Se eu falar, eles vão me identificar e me matar".
A situação retrata o cenário de insegurança vivido por agentes penitenciários em Minas, segundo o presidente da União Mineira dos Agentes Penitenciários Ronan Rodrigues da Silva. De acordo com ele, somente neste ano, 25 agentes registraram boletim de ocorrência após terem sido ameaçados de morte nas prisões. Desde 2003, segundo ele, 146 funcionários do sistema prisional foram assassinados. Só no último mês, foram três. "Queremos que o Estado garanta mais segurança nas unidades".
ApuraçãoA Secretaria de Estado de Defesa Social informou que disse que não recebeu denúncia sobre o agente que estaria dormindo no Presídio de Ibirité, mas que irá apurar a situação. Ainda conforme a secretaria , todos os agentes ameaçados recebem proteção policial ou são transferidos de unidade.
Audiência pública
Os
agentes penitenciários de Minas Gerais vão se reunir na próxima
quinta-feira para participar de uma audiência pública na Assembleia
Legislativa para apurar o problema das ameaças sofridas por eles e os
assassinatos recentes. Segundo o deputado Sargento Rodrigues (PDT), que solicitou a audiência, a comissão de Direitos Humanos tem o objetivo de esclarecer o andamento das investigações sobre os assassinatos de agentes penitenciários, policiais militares e civis. O deputado acompanha casos de assassinatos de policiais desde 2003 e questiona o trabalho do Estado. "Não podemos admitir que os servidores da segurança pública sejam abatidos e que o Estado não dê uma resposta imediata", disse. (JA)
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